PILOTO AUTOMÁTICO
Piloto Automático O “conto” a seguir na verdade trata-se de um fato ocorrido no ano de 2006, e por mais que pareça história de pescador, é uma situação que realmente ocorreu. Era uma bela tarde do mês de junho do ano de 2006, estávamos em vários amigos na pista do aeroclube de São José do Rio Pardo, eu ainda um iniciante no aeromodelismo fazia meus primeiros vôos solos, com um avião starflyer, equipado com motor O.S. .46 e utilizando um rádio Futaba 6 EX , um belo equipamento para se iniciar no hobby. Lá pelas 5:00 da tarde, o meu irmão mais novo Fernando, que já apresentava um bom nível de pilotagem apesar de na época também ser um iniciante, resolveu fazer um vôo duplo (com cabo trainer) com o nosso irmão mais velho, Guilherme, para ver se o mesmo também se interessava pelo hobby, e foi ai que a aventura começou. Decolagem ok, avião voando bem, chegou a hora de passar o comando do avião para o Guilherme, que por ser a primeira vez que ele tinha contato com este tipo de equipamento, se saiu relativamente bem, mas após uns 6 minutos de vôo o inacreditável começou a acontecer, o avião perdeu completamente o contato com o rádio, e por mais incrível que possa parecer, ele ganhou vida própria, o normal nestes caso seria ele se descontrolar e cair imediatamente após a perda do sinal, mas não, ele se estabilizou , regulou o motor de forma que o avião nem subia nem descia, e deu uma leve caída de asa para a esquerda, o que fez com que o mesmo mantivesse um vôo circular, uma espécie de órbita em cima das nossas cabeças. Ficamos na pista apenas observando aquela “órbita”, pois já havíamos feito de tudo, pegado outros rádios, trocado os “cristais” de freqüência , dado umas “pancadinhas” no rádio pra ver se voltava, mas nada adiantava, o que nos restava era esperar o combustível acabar e ver o mesmo se esborrachar no chão, para então recolhermos o “recheio” do avião para aproveitar em outro. Aquele era realmente um dia diferente, pois passado uns 5 minutos do interminável rodeio que o avião realizava sobre as nossas perplexas cabeças, começou bater uma brisa, que levou o pequeno e independente avião para longe de nós, e o nosso maior temor que era de ver o aviãzinho todo arrebentado no chão, passou a ser de não mais vê-lo, ou ainda pior , descobrir que o mesmo acertou alguém, ou alguma coisa. Saímos em disparada, com carros, motos e qualquer outro veiculo que pudesse nos levar até o nosso objetivo, mas tudo em vão, pois nem sinal do aeromodelo, e olha que rodamos muito, mas como já era noite, decidimos abandonar neste dia as buscas, e deixar para a segunda-feira uma nova tentativa. Na segunda-feira de manhã lá estava eu pelos sítios e fazendas, perguntando sobre o avião, mas nem sinal, e olha que deixei boas propostas de recompensa para quem tivesse alguma informação. Assim foi, praticamente um mês inteiro, com buscas no meio das fazendas, adentradas nas matas, vôos rasantes de trike, mas nada adiantou, nem sinal do avião, demos por encerradas as buscas e qualquer esperança de encontrar os restos da queda, pelo menos tínhamos a tranqüilidade de saber que nenhum acidente fora causado. Passado mais de 2 meses do fato ocorrido, eu já havia comprado outro avião, e tinha aquele dia como um dia a ser esquecido, apesar de sempre ficar uma grande interrogação sobre o que de fato ocorreu, quando numa sexta-feira, a diarista que fazia faxina na minha casa, comentou com minha esposa, Marina, que ela tinha ido visitar um irmão, que trabalhava em sítio, e o mesmo relatou a ela, que a uns 2 meses atrás, ele estava tranquilamente pescando em um açude, na propriedade rural que ele trabalha, quando ele percebeu a aproximação de “uma coisa estranha” que vinha do céu, e que está coisa, lentamente se aproximou e pousou bem em frente dele, na água, e ele imediatamente o recolheu e assustado levou o aviãozinho pra sua casa, e que no outro dia de manhã , sem saber o que fazer com “aquilo”, foi falar com seu patrão, que vendo a oportunidade cair do céu, “comprou” o avião por R$ 50,00. A faxineira mal terminou de contar a história, a Marina correu pro quarto, onde eu ainda estava acordando, e me contou o que acabara de ficar sabendo, e eu meio que sem acreditar, imediatamente entrei em contato com o dono do sítio, e ele me confirmou o fato, daí chegamos a um acordo, eu reembolsei os R$ 50,00 que ele havia pago pelo equipamento, e no outro dia já estava voando novamente o avião, que estava praticamente intacto. Parece mentira, mas isso tudo me deixou uma grande lição, eu percebi que quando alguma coisa é sua de verdade, ninguém te tira, e que apesar de todos os nossos esforços para reencontrar o avião, ele voltou pra mim sozinho, da forma mais inesperada e inexplicável possível. Adriano Bertho
BRUXA SOLTA
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